Meu papagaio era verde e amarelo e se chamava Louro...
Como meu dia ficava alegre quando, ao me levantar, pela manhã, recebia seu alegre: “Louro quer café!” Eu fazia o café, ele pegava sua
canequinha e bebia com gosto, dizendo: “Obrigado manhê!”
Mas nem sempre era educado assim... Adorava falar palavrões
que aprendera num boteco de onde viera. E quando ficava nervoso ou com fome,
não limitava o linguajar: “Menino, f. d. p., Louro tá com fome!”
Ele falava muito, sabia o nome das crianças, só falava
"Menino" quando estava com raiva, gostava de cantar A jardineira... repetia tudo
que ouvia...Não sei se era inteligência ou boa memória...Parecia gente... Vivia
solto e um dia fugiu, indo parar numa árvore do quintal do vizinho e lá do
alto, desafiava: “Vem, vem pegar o Louro!”.
O Louro alegrava a casa e as crianças, até que um dia pegou
uma doença e nenhum tratamento conseguiu
combatê-la. E o Louro morreu... foi uma tristeza e uma choradeira sem fim.
Nós o colocamos numa caixinha e o enterramos no quintal. As crianças iam
colocar flores no seu túmulo, até que com o tempo, acabaram se esquecendo. Mas
eu me lembro dele, com saudade, até hoje. Eu era muito apegada a ele, era meu
amigo, pude então sentir a dor da perda... Depois disso evitei-me apegar a
animais para não ter que passar, de novo, por uma perda tão sofrida!
Edina
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